Leia a história emocionante desta gaúcha que atualmente mora na capital da Eslováquia!

Como tudo começou
Assim começou uma viagem que eu jamais poderia acreditar que teria tanta coragem. Mas, sendo gaúcha, “a garra é forte”!
Eu morava em Poá, no bairro Sarandi, quando a minha mãe decidiu mudar-se pra Cachoeirinha. Em 2000, uma amiga minha também gaúcha, com a qual eu só falava por telefone, resolveu ir pra Miami. Eu trabalhava no Iguatemi havia uns seis anos e aí, num belo dia, ela me convidou para morar com ela. Então resolvi largar tudo e tentar uma vida nova, por isso no dia 20 de maio de 2000 tudo começou! (risos)
Fui pra Miami, parecendo uma guria de apartamento, (risos) tudo lindo! Só glamour naquele país, né?! Mas a minha realidade era outra, então parei o mundo e desci (risos). Com 15 dias em Miami conheci Anderson, paraibano da cidade de João Pessoa, um lugar tri bonito. Após 15 dias que nos conhecemos, nos casamos e hoje já são 11 anos de casados. No começo de 2001 fomos para João Pessoa onde eu tive dois filhos lindos que se chamam Pietra e Enzo.
Ficamos três anos no Brasil e a situação começou a ficar apertada. Resolvemos então tentar a sorte novamente no exterior. Anderson iria na frente e organizaria tudo e depois eu também iria. Com um conselho da minha sogra deixei as crianças por um tempo até a gente se legalizar no País.

Atravessando a fronteira do México
Em fevereiro de 2003 eu voltei pra Miami. Mas pra minha surpresa e a de todos eles, na imigração descobriram que eu morei ilegalmente durante um ano, então fui deportada do aeroporto mesmo. Voltando pra casa no Brasil resolvemos esperar um pouco e tentar novamente a minha ida a Miami. Na época eu nunca tinha ouvido falar sobre atravessar a fronteira pelo México. Eu e Anderson não nos víamos havia dois anos, só por web e telefone. Muitas pessoas me ligavam e diziam que pela fronteira ia da certo. O amor falou mais alto e eu acabei pagando 10 mil dólares: cinco na saída e cinco na chegada. É digno de nota que a viagem era pra durar aproximadamente uma semana, mas eu fiquei totalmente desaparecida por vinte e dois dias.
Graças a Deus não fizeram nada comigo. O perigo foi grande e, apesar de um grupo de doze pessoas ter ido comigo, só quatro conseguiram chegar ao seu destino, sendo eu uma delas.
Cheguei muito machucada, mas me recuperei rápido e logo voltei trabalhar numa churrascaria de nome Chamas, em Carolina do Norte, EUA, em 2005.
De volta ao Brasil e rumo a Portugal, Holanda, Itália...
Em Miami meu marido já era gerente de uma churrascaria que se chama Steakhouse. Trabalhamos duro atrás da legalização e durante três anos não conseguimos nada. Mas nem tudo estava perdido, pois minha sogra tem ascendência portuguesa. Por isso tentamos de tudo até que conseguimos um documento da imigração nos autorizando a buscar os filhos e poder voltar. Parecia um sonho porque viver sem os filhos era um pesadelo. Na verdade ainda é...
Deixamos tudo: casa, carro, dinheiro no banco e outras coisas. Partimos para Brasília onde iríamos pegar o documento. Quando chegamos lá o Cônsul americano negou tudo, aí “a casa caiu!” Perdemos tudo e até mesmo o direito sobre nossas coisas. Passado uma semana fomos pra João Pessoa onde não víamos nossos filhos havia três anos. Foi um momento de grandes expectativas e de ansiedade.
O reencontro foi maravilhoso. Choramos muito e prometemos não mais nos separar. Até que recebemos uma proposta de trabalho na Holanda em outra churrascaria que se chama Rodizio, tudo por telefone. Mas ainda tínhamos a esperança de conseguir o passaporte europeu. Depois de tudo pronto, Anderson novamente foi na frente e um mês depois eu fui junto com as crianças, com visto só de trabalho. Tínhamos uma vida normal, as crianças iam à escola e tudo mais. Logo no ano seguinte minha sogra foi nos visitar e resolvemos ir a Portugal conhecer a família dela e realizar um grande sonho: fomos ao santuário de Fátima e oramos com muita fé. Na volta pra casa, minha sogra foi ao banheiro numa estação de trem, eu fiquei no banco e, com esse meu jeito muito espontâneo de ser, avistei uma única pessoa sentada e resolvi sentar ao lado dela pra não ficar sozinha até minha sogra voltar.
Quando a cumprimentei descobri que ela era brasileira e depois de alguma conversa, ela me disse que era advogada de imigração. Naquele momento eu fiquei muda. "Só podia ser coisa de Deus mesmo" - pensei.
Depois disso entramos no trem de volta para o porto em Portugal e trocamos nossos números de telefone, pra manter contato. Quando eu voltei pra Holanda contei tudo ao meu marido e resolvemos gastar mais um pouco e tentar de novo a sorte. E por incrível que pareça deu certo! O que não havíamos conseguido em anos, foi resolvido com aquela advogada em três meses! Hoje todos nós temos passaportes europeus e somos donos de nós mesmos (risos).
Como nos especializamos no Brasil em consultoria de churrascaria, ficamos no máximo um ano em cada país, no exterior. Recebemos outra proposta de trabalho na Itália, e lá fomos nós, todos tri-felizes pra Itália. Claro, o lugar é lindo e a comida é maravilhosa, mas não demos sorte e começamos a passar uma dificuldade financeira. Resolvi ir pra outro país, mas eu não queria "judiá" das crianças nessas idas e vindas. Por isso no ano passado, em abril, levei as crianças pra minha sogra. Apesar de eles terem um suporte muito grande lá em todos os aspectos, o coração chorava muito pela decisão. Mas sei que, apesar dessa decisão, num futuro bem próximo eles vão saber da nossa historia e vão nos admirar mais pelo amor demonstrado a eles.
Voltamos pra Itália e começamos a trabalhar numa churrascaria chamada Gaúchos. Terminamos o contrato e logo veio outra proposta, caída do céu novamente, e viemos para Eslováquia, na capital Bratislva. Já estamos aqui há um ano, mas em janeiro fomos de férias pro Brasil e passamos 20 curtos dias ao lado dos filhos!
Foi tudo de bom, mas, como toda despedida, foi muito triste, choramos muito e prometemos a eles que em dezembro vamos buscá-los. O nosso contrato aqui acabou e já temos outras duas propostas de trabalho em Londres e é pra lá que vamos! E também combinamos que é lá que vamos ficar pelo menos uns 10 anos, se Deus quiser. As oportunidades em Londres pras crianças são maravilhosas e o País é ótimo em escolas e faculdades.
É isso meu povo, dei uma resumida na minha história e, nesse momento, estou com malas prontas, pois partiremos dia 29 de junho! Essa é a primeira vez que escrevo a minha história e confesso que estou bem emocionada, porque nunca deixei de acreditar no meu sonho.
As pessoas amam o nosso churrasco, o nosso chimarrão, as nossas músicas... E hoje tenho um marido paraibano, mas que é um gaúcho autêntico. (risos)
Minha família ainda mora em Cachoeirinha, e faz oito anos que não vou a Poá, por que nesses gastos de passaportes e outras coisas não deu pra ir. Mas ajudo-os como posso, e ligo sempre também.

A família
A família é o bem mais precioso que temos nessa vida! É por isso que hoje mato um leão por dia por meus filhos. Na verdade o que a gente quer é ter uma vida normal, ter os filhos por perto e fazer o que amamos tanto, que é levar o nosso churrasco para o povo do exterior. Vocês não tem ideia do quanto eles amam o churrasco e as saladas! Anderson treina os passadores e os garçons e eu treino o pessoal da cozinha com saladas, feijoada, carreteiro etc. Sempre quis fazer um livro da minha historia, e acho que já estou começando escrevendo pra vocês aí.
Queria dizer que nada é impossível e que nunca devemos desistir dos nossos sonhos! Sei que não escrevi nem a metade do que vivi nessas experiências de vida, mas acho que vocês tiveram uma ideia de quanto somos batalhadores e vencedores, por que nunca, nem nos piores momentos, desistimos.
Com toda saudade dos filhos sei que algumas vezes erramos pra acertar, mas vivemos intensamente pelo amor dos nossos filhos. Eu, com muito orgulho de ser gaúcha, deixo um enorme abraço a todos e que Deus em sua bondade sempre os abençoe.
Narrada por Viviane Ribeiro
Somos do Sul
Gracias Viviane, desejamos toda felicidade do mundo, em qualquer querência que tu tiver.
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