
Desde muito cedo já canta, e a partir de que momento você começa compor?
Tinha exatamente 15 anos de idade quando fiz minha primeira letra e musica, foi muito engraçado, eu estava na sala de aula, estudava de tarde no segundo ano do segundo grau, na escola cnec de são Luiz Gonzaga, veia a inspiração da letra e da musica juntas. ”Missão de cantor” se chamava a canção. Era uma coisa muito simples, uma melodia tranquila com um refrão que lembro ate hoje. “Cantor, alegre cantor, lição de vida e coragem, segue teu rumo xiru, refletindo tua imagem”! Dai em diante comecei a exercitar o dom da composição, tentando cada vez mais aprimorar.

Você é natural das Missões, lugar de muitos artistas da música como Cenair Maica, Tio Bilia, Jaime Caetano braúna e tantos outros em quem você se espelha?
Sempre escutei de tudo desde muito cedo. Desde musica popular brasileira ao folclore argentino, muita musica instrumental e os artistas gaúchos também. Nunca tive preconceitos para os ouvidos, em minha opinião a informação não tem fronteiras e a gente tem que conhecer as coisas para definir um estilo... Minha escola vem desde os “irmãos Borges”, grupo de baile dos meus tios, passando por gildo de Freitas, Luiz Gonzaga, Renato Teixeira e o rock nacional dos anos 80. Das missões minha referencia sempre foi cenair maicá, artista que tinha arranjos mais arrojados e composições que me chamavam mais atenção! Depois vem o interesse por Pedro ortaça, que é uma referencia cultural missioneira e vem através do tempo firmando a origem da terra de onde venho!
E a nova geração quem você acha que vai explodir no gosto do povo gaúcho?
Pois olha, eu espero que seja eu. (risadas) Olha tchê, eu me considero juntamente com o Cristiano Quevedo, o Pirisca Grecco, a Shana Muller e o Ângelo Franco as promessas dessa nova geração...sem falsa modéstia...acredito nisso pelo nosso trabalho e pela nossa batalha em fazer ecoar aquilo que acreditamos. Fazer estas ideias ir mais longe. E como a gente tem muito lugar pra chegar, muito a divulgar ainda, acho que ainda estamos na fase da explosão, temos crédito com quem conhece o mercado da musica gaúcha, mais ainda estamos um pouco longe de ser reconhecidos pelo grande público, junto a nos tem outros também, gosto do Luciano maia, do Juliano Moreno, etc.
O que você passa para o público em suas músicas?
Já fiz muita música com o intuito de ser premiado em festivais, musicas para a competição, hoje em dia me preocupo mais com o que as pessoas irão cantar junto, o que vai tocar no coração delas, aonde a emoção pode levar mais fundo, então baseado nisso procuro sempre passar uma mensagem positiva, de otimismo, de alegria e de boa energia! Procuro passar isso e acredito que estou conseguindo pelas manifestações que recebo!

Você se acha melhor compositor ou cantor?
Procuro me esforçar nas duas áreas, mas com certeza tenho mais facilidade na composição. Minha voz tem pouca potência, procuro ser afinado o melhor que posso, mas não tenho o exercício do canto como prioridade, deveria me preocupar mais com a técnica vocal e tentar evoluir nesta área, mas a minha prioridade está na composição. É nisso que vejo graça, que sinto prazer, fazer música pra mim é como respirar, é uma energia que me move na vida, é um vício, uma coisa que exercito diariamente, com responsabilidade e espontaneidade, é muito mais do que um trabalho, é uma coisa que me completa, é visceral e necessário par estar de bem com a vida.
O que significa o tradicionalismo para você?
É uma escola necessária para o aprendizado da cultura gaúcha e o respeito às tradições. Nasci e me criei no CTG, meu pai foi da diretoria do “Rodeio das Missões”, lá em são Lourenço das missões, desfilava no 20 de setembro desde criança, fiz parte da invernada artística “Chama Crioula do CTG Galpão de Estancia” de são Luiz Gonzaga, depois toquei para invernadas artísticas em Santa Maria, foi uma base, uma escola que vem desde a infância. Acho isso muito proveitoso se a gente souber tirar o melhor do que o tradicionalismo nos oferece, sem dogmas e sem regras, apenas valorizando a cultura que ele nos proporciona. Então procuro respeitar as regras tradicionalistas onde elas se fazem necessárias, mas tenho noção que existem outras propostas e teorias pelo mundo afora!
Colorado ou gremista?
O futebol me toca pouco, sempre fui muito ruim de bola e nunca fui a um estádio de futebol, acompanho a distância, com bom humor e sem muita flauta - sou gremista!
Quem foi ou é o maior compositor gaúcho?
Existem muitos, vale a pena citar Teixeirinha, Leonardo, Kleiton e Kledir, Vinicius Brum e Mauro Ferreira. Mas com certeza em minha opinião Elton Saldanha é maior de todos, meu professor de refrão, que faz do oficio da composição a razão de sua arte, meu amigo, meu parceiro de várias canções e com certeza minha maior referência musical na composição!
Fala um pouco do seu pago as missões?
A palavra que me vem à mente é referência! Criei-me numa localidade chamada “laranja azeda”, interior de São Luiz Gonzaga. De lá tenho a referência do campo, do interior, das coisas campeiras, do pai e da mãe, do cavalo e das ovelhas, da água de poço, do vento na coxilha, dos capões de mato, da terra vermelha, graças a Deus tive a vivência campeira necessária para conhecer um pouco das coisas do chão, da força e base que elas nos dão, acho que isso traduz as missões que eu tenho na minha mente.
Manda seu recado para a juventude gaúcha.
Estudem os assuntos referentes ao que vocês querem falar, referencias histórica, é preciso conhecer para evoluir. Escutem a música gaúcha, e sejam gaúchos além da pilcha, no coração e na convicção. “Levem o Rio Grande como bandeira de terra, de conhecimento e de orgulho, sem preconceitos para a informação, na vida de hoje é preciso estar em confecção com o mundo para fortalecer o que nos difere perante o mundo. A estrada é comprida e andar vale a pena, pois quem busca sonhos de alma serena, tocando pra frente sabe aonde vai”!
Se quiser mudar alguma coisa ou se tiver mais alguma coisa para falar fique a vontade:

Gostaria de salientar o projeto buenas em espalho, que tenho em conjunto com o Cristiano Quevedo, a Shana Muller e o Ângelo Franco. Acho que ele é um resumo de tudo que a minha geração acredita. “É uma forma bonita que a gente criou para interagir com a juventude e procurar fazer parte do futuro sem esquecer a tradição.” “A bombacha da modernidade” como a gente gosta de falar! Visitem o nosso blog para saber mais www.buenasemespalho.blogspot.com.br. E visitem também o meu blog pessoal, www.erlonpericles.blogspot.com.br, a gente procura sempre atualizar as nossas andanças. Obrigado Somos do Sul pela oportunidade de divulgar o meu trabalho, um abraço e conte sempre com a gente!
Um pouco mais sobre ÉRLON PÉRICLES:

Músico e compositor missioneiro, participante da maioria dos festivais de música do Sul do Brasil, como concorrente ou jurado.
Premiado em eventos como a Califórnia da Canção Nativa, Musicanto Sul-Americano de Nativismo, Moenda da Canção, Sapecada da Canção Nativa, Coxilha Nativista, entre tantos outros. Participou do Festival Internacional de QUOSQUIN, na Argentina, em 2004, junto com grandes nomes da música gaúcha, levando um pouco da nossa cultura para o país vizinho.
Venceu por três vezes consecutivas, o concurso promovido pelo Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, que elege anualmente a MUSICA TEMA DA SEMANA FARROUPILHA.
Indicado diversas vezes e em várias categorias ao PRÊMIO AÇORIANOS DE MÚSICA, destacando o MELHOR DISCO DE MÚSICA REGIONAL - 2009 com o PROJETO BUENAS E M‘ESPALHO, CD gravado em parceria com SHANA MÜLLER, ANGELO FRANCO e CRISTIANO QUEVEDO.
Atua também na área de produção e direção musical, onde destaca sua participação nos CDs de artistas como Pirisca Grecco, Jorge Freitas, Rui Biriva (premiado com o Disco de Ouro), João Chagas Leite e Elton Saldanha. Tem mais de 600 músicas gravadas, em festivais de música e CDs solo de cantores e grupos regionais do Sul do país.
Entre suas parcerias musicais antigas e recentes cita os compositores Gujo Teixeira,Carlos Omar Villela Gomes, Zeca Alves, Rodrigo Bauer, Binho Pires, Duca Duarte e Elton Saldanha.
Considerado um dos compositores mais versáteis de sua geração, compõe desde a música mais campeira até trabalhos de projeção, sem preconceitos de estilo, ritmo e forma. Seu show é composto por suas canções de maior sucesso, a exemplo de DE CIMA DO ARREIO, RIO GRANDE VÉIO, LARGANDO PRA FRONTEIRA, NA ESTRADA DO SUL, DIARIO DO FRONTEIRIÇO, além de interpretações de temas consagrados do cancioneiro gaúcho.
Em 2009 participou do Documentário SEMANA FARROUPILHA DE PORTO ALEGRE, curta-metragem feito pela GM/2 Filmes, compondo
a trilha sonora “Marcha Setembrina”.
Possui 5 Cds gravados, e atualmente trabalha na divulgação do CD, “RIO GRANDE VÉIO”, lançado em Janeiro de 2010, pela gravadora ACIT.




Fonte: http://www.erlonpericles.com.br/home.asp
Entrevista: JK MARINHO


